15/11/2020

Parapsicologia



Parapsicologia, vem do grego "para" [além de], "psique" [alma, espírito, mente, essência] e "logos" [estudo, ciência, essência cósmica] e sugere o significado etimológico de tudo que está "além da psique", "além da psicologia" ou mais especificamente, o que está além e, portanto inclui a psique e a psicologia.
Neste sentido, podemos dizer que a Parapsicologia é uma Transpsicologia ou se correlaciona diretamente com sua irmã gêmea, a Psicologia Transpessoal e outras áreas das investigações mais avançadas, como a Psicobiofísica, Psicotrônica, Projeciologia e afins.
É também conhecida como Pesquisa Psi e ainda Metapsíquica [nomenclatura mais antiga], pode ser compreendida, a partir de um ponto de vista estrito senso, como o estudo de alegações paranormais e associados à experiência humana, ou seja, as interações aparentemente extra-sensório-motoras entre seres humanos e o meio ambiente. Esses fenômenos também são conhecidos como fenômenos paranormais ou fenômenos Psi.
A posição da parapsicologia como um ramo da ciência é contestada sendo que os cientistas, incluindo psicólogos, classificam-na predominantemente como pseudociência devido ao fracasso em mostrar resultados através do método científico ortodoxo, laboratorial, newtoniano-cartesiano, em mais de um século de pesquisas.



As primeiras investigações parapsicológicas laboratoriais utilizaram as chamadas Cartas de Zener em experimentos planejados para a investigação do fenômeno da Telepatia.


Características

De uma forma geral os fenômenos Psi podem ser classificados, quanto à forma de apresentação, em extra-sensoriais e psicocinéticos, de acordo com a escola de Rhine (EUA). Os extra-sensoriais, identificados pela sigla PES (percepção extrassensorial) são os fenômenos que envolvem conhecimento. Podem ainda classificados quanto ao tipo, em telepatia, quando fonte e receptor forem seres humanos e em clarividência, quando a "fonte" é o meio ambiente. Quanto ao tempo, esses fenômenos podem ser classificados em retrocognição, simulcognição e precognição, quando estiverem relacionados, respectivamente, ao passado, ao presente e ao futuro. Os fenômenos psicocinéticos, identificados por PK (psychokinesis) são caracterizados pela ação sobre o meio ambiente. Quando esta ação for diretamente observável será dita macro-PK, e quando microscópica, micro-PK.

Definição

Há uma tradição dentro do senso comum que sustenta que os mundos subjetivo e objetivo são completamente distintos, sem que haja qualquer implicação entre eles. O subjetivo existe “aqui, dentro da cabeça”, enquanto que o objetivo existe “lá, no mundo externo”. A Parapsicologia é o estudo de fenômenos que sugerem que a dicotomia estrita entre objetivo/subjetivo pode ser, ao contrário, parte de um conjunto, com alguns fenômenos entremeando ocasionalmente o que é puramente subjetivo e o que é puramente objetivo. Chamamos tais fenômenos de “anômalos” porque são difíceis de serem explicados pelos modelos científicos tradicionais.
Como exemplos de fenômenos parapsicológicos temos a psicocinese (PK) e os fenômenos sugestivos da sobrevivência após a morte, incluindo as experiências próximas da morte, as aparições e a reencarnação.

Aspectos científicos

A maioria dos parapsicólogos, atualmente, espera que estudos adicionais venham finalmente explicar essas anomalias em termos científicos, apesar de não estar claro se eles podem ser completamente compreendidos sem expansões significativas (poderia se dizer revolucionárias) do estado atual do conhecimento científico. Outros pesquisadores assumem a posição de que modelos científicos já existentes, tais como os de percepção e de memória, são adequados para explicar alguns dos fenômenos parapsicológicos.
Ortodoxamente, a Parapsicologia é definida como a disciplina científica que tem como objeto de estudo a possível interação extra sensório-motora entre o ser humano e o meio, ou seja, a mente interferindo diretamente no meio sem o uso dos órgãos físicos e sensoriais.

Abrangência

A Parapsicologia estuda os seguintes aspectos:
  • A hipótese da existência de uma forma de obtenção de informações (comunicação) que prescinda da utilização dos sentidos humanos conhecidos (percepção extrassensorial), tais como telepatia, clarividência e precognição.
  • A hipótese da existência de uma forma de ação humana sobre o meio físico em que não seriam utilizados qualquer mediadores ou agentes (músculos ou forças físicas) conhecidos, como a psicocinese.
  • Os fenômenos associados ao pré-nascimento (retrocognição) e a experiências multidimensionais, como a experiência de quase morte, experiência fora do corpo, mediunismo, agente theta, etc.
O maior portal de parapsicologia do Brasil: http://www.clap.org.br/

Várias são as divisões da história da Parapsicologia. Apenas com a finalidade didática, utilizaremos a classificação de Charles Richet (fisiologista francês, pesquisador da Parapsicologia do início do séc. XX): a)Período Mítico (do início dos tempos até 1778);b)Período Magnético (de 1778 a 1847); c)Período Espiritista (de 1847 a 1872) e d)Período Científico (de 1872 aos dias atuais).


a)Período Mítico (do início dos tempos até 1778):

Esse é o período mais amplo e difícil de ser estudado na história da Parapsicologia, pois tudo o que dispomos são evidências. Ao parapsicólogo cabe pinçar os possíveis fenômenos paranormais dos relatos, ensinamentos e descrições obtidos nos documentos antigos ou nas lendas e crenças então existentes. As religiões e o ocultismo são fontes ricas de informação.

Aqui cabe uma observação importante: a Parapsicologia aborda os fenômenos paranormais de forma científica, diferentemente das religiões e do ocultismo. No entanto pode haver confusões no tocante às interpretações dessas abordagens. Muitos utilizam a Parapsicologia como instrumento de defesa e/ou divulgação de uma determinada religião ou crença, o que é inadmissível... Ao parapsicólogo cabe estudar quaisquer religiões ou crenças, mas não se envolve com doutrinas nem promove a fé...O parapsicólogo quer conhecer fenômenos que possam interessar à Parapsicologia, estudá-los e catalogá-los... Quanto à interpretação que cada crença ou religião possue nada cabe ao cientista comentar. Sobre esse assunto, Alfred Still nos lembra que a religião admite forças extra-humanas e a elas sempre pede concessões (ex.:a oração); Já a magia, o ocultismo, apesar de admitir a existência dessas forças pretende dominá-las, usá-las em comando direto, domínio este obtido pelo treino. Apesar das diferenças, ambas - religião e magia - aceitam o homem como um acidente, pois as forças extra-humanas que as mesmas admitem, existiriam independentemente do homem. E aqui está a diferença fundamental entre Parapsicologia e religiões e/ou Ocultismo: Parapsicologia é uma ciência humana. O homem é o centro da fenomenologia paranormal, não sendo um mero acidente e, sim, o responsável direto pela manifestação dos fenômenos.

Nesse contexto há muitas fontes de estudo da paranormalidade: usos e costumes de povos antigos baseados nas descobertas antropológicas e arqueológicas; Documentos e tradições das grandes religiões tais como o Cristianismo, o Budismo, o Bramanismo, etc. e outras fontes.



b)Período Magnético (de 1778 a 1847):


O Período Magnético recebeu este nome graças a um médico vienense chamado Franz Anton Mesmer. Ele acreditava existir um fluído universal que podia curar. De acordo com Mesmer existe "uma influência mútua entre os corpos celestes, a terra e os corpos animados". Esta influência teria como agente de ligação o fluido universal que estaria, no corpo humano, ligado aos nervos, em capacidade análoga aos imãs. Por esta analogia é que o fluído de Mesmer ficou conhecido por Magnetismo e daí, também, o nome de período Magnético.

Uma sessão típica de Mesmer: os presentes ("pacientes") ao redor de uma bacia com água quando Mesmer chegava e, com sua varinha, "magnetizava" a água. Os pacientes, ao tocarem a água magnetizava, podiam entrar em estado de transe e, muitos, curavam-se imediatamente de muitos males.

Parte da comunidade de médicos e estudiosos não aceitava a Teoria Magnética de Mesmer o que deu origem a uma série de estudos sobre a Sugestão e o Hipnotismo. Hoje em dia sabe-se que uma grande parcela de males físicos pode ser sensivelmente melhorada (e, até mesmo, curada) pela sugestão ou resolução de conflitos psicológicos.

A grande contribuição de Mesmer foi chamar a atenção para determinados fenômenos de cura, antes legados à abordagens ocultistas, e tentar dar a eles uma vestimenta "científica".



c)Período Espiritista (de 1847 a 1872):


O Espiritismo cresceu como religião após uma série de acontecimentos que sugeriam uma intensa vida após a morte.O fato que detonou a grande onda espiritista ocorreu em 1847 na pequena cidade de Hydesville, Estado de Nova Iorque, nos EUA. Um pastor protestante, John Fox, com a esposa e duas filhas, mudaram-se para uma casa daquela cidade, cujo local era tido como "assombrado". Batidas inexplicáveis ocorriam nas paredes da casa. As filhas do pastor passaram a se divertir com o fenômeno e, por fim, estabeleceram um código: certo número de batidas correspondia a determinada letra do alfabeto e, assim, sucessivamente, numa correspondência biunívoca. Foi estabelecida, então, uma comunicação com o suposto espírito. Após várias mensagens, o "espírito" declarou que havia sido assassinado e enterrado no subsolo da casa. O governo norte-americano enviou duas expedições de escavação: a primeira nada encontrou e, tempos depois, uma segunda achou um esqueleto ao lado de uma pasta que continha documentos pessoais de um certo Charles Rossnan.

O caso das irmãs Fox detonou uma série de outros com características semelhantes. Em 1857, o professor francês Denizard Rivail escreveu seu famoso "Livro dos Espíritos". Esse livro, segundo Rivail, fora "ditado" por espíritos. A si mesmo atribuiu o nome de Allan Kardec, nome esse eternizado pela história do Espiritismo.

Cientistas da época estavam divididos em relação à causa dos fenômenos. Muitos acreditavam no Espiritismo e até buscavam uma forma da Ciência "reconhecer"o mundo espiritista. Já outros, céticos, atribuiam os fenômenos a fraudes descaradas ou, no máximo, a capacidades desconhecidas do ser humano que, não conhecendo as causas, atribuía a supostos espíritos seus efeitos.



Período Científico ( de 1872 aos dias atuais):


A onda espiritista chamou a atenção de vários cientistas famosos.Muitos deles estavam curiosos com as manifestações espíritas e se aproximaram do estudo dos fenômenos paranormais com a finalidade de - definitivamente - esclarecer se era uma grande fraude,se era uma manifestação espiritual ou se era uma nova área de fenômenos naturais, porém desconhecidos da Ciência.

A primeira grande investigação foi dirigida por Willian Crookes, famoso físico inglês. Esta investigação chegou a conclusão que diversos dos fenômenos chamados de "espíritas" realmente existiam e mereciam ser investigados mais profundamente. Crookes continuou com suas pesquisas, inclusive com uma médium - Florence Cook - que era o epicentro de sessões ectoplásmicas.

Assim como Crookes, outros cientistas dedicaram-se às pesquisas paranormais. Russel Wallace, Willian Barret, Henri Sidgwick, Myers, Oliver Lodge, MacDugall e outros. Em 1882 foi fundada a tradicional SPR-Society for Psychical Research,em Londres. Logo depois, em 1885, fundou-se a SPR americana.

Inúmeros trabalhos surgiram como frutos das pesquisas empreendidas. Uns defendiam o Espiritismo, outros condenavam.Um dos grandes expoentes dessa época foi o fisiologista francês Charles Richet, autor do famoso "Tratado de Metapsíquica ".

O grande problema das pesquisas da época estava no método. Todas as pesquisas eram qualitativas. Não levavam em conta a repetição dos experimentos, pois os fenômenos são de caráter fugidio, impossíveis de serem reproduzidos à vontade. A comunidade científica começou a entender que o sucesso da Parapsicologia como ciência dependeria - necessariamente - de novos métodos que a aproximassem mais das outras ciências. Várias tentativas foram realizadas para sistematizar os experimentos, mas, em sua maioria, fracassaram.

A partir de 1930, o Laboratório de Parapsicologia da Universidade de Duke, nos EUA, sob a coordenação de Joseph Banks Rhine, passou a realizar uma série de experimentos baseados em princípios estatísticos. As mais famosas experiências foram realizadas com o baralho Zener. Este baralho é composto de 25 cartas, com cinco diferentes símbolos (ou seja, cinco cartas de cada tipo). Os símbolos são: ondas, estrela, quadrado, cruz e círculo. após misturar aleatoriamente as cartas, os testes procuram avaliar a capacidade de percepção extra-sensorial dos avaliados.

As experiências em Duke conseguiram aproximar a Parapsicologia das demais ciências. No Congresso de Utrecht, em 1953, a Parapsicologia foi coroada como Ciência.

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