25/06/2016

Coluna do Paulo Roberto - A invencível guerra contra as drogas




Esta semana iremos tratar sobre o tema das drogas, o título desse artigo soa um tanto quanto forte com a palavra “invencível”, porém essa é a triste realidade da atual política de combate as drogas que vivemos em nosso país.



No ano de 1971 o presidente americano Richard Nixon, anunciou ao mundo que o “inimigo número um” do seu país eram as drogas, a partir daí criou políticas públicas de combate e repressão aos narcóticos, que ficou conhecida historicamente como “guerra as drogas”, essas políticas passaram a ser utilizadas em todo mundo, inclusive no Brasil, onde foi montado um verdadeiro aparato de guerra para repressão desse tipo de atividade ilícita.



Esse sistema de repressão já perdura por mais de 40 anos e atualmente as forças policiais apenas “secam gelo”, pois o combate as drogas propostas por Nixon e seguidas por muitos países em todo mundo se mostraram ineficazes, tanto que no ano de 2011 a “Global Commission on Drug Policy”, divulgou um relatório critico sobre a guerra as drogas, onde declarou:

“A guerra global contra as drogas fracassou, com consequencias devastadoras para os indivíduos e sociedades ao redor do mundo...”



Mesmo sendo a atual política de combate as drogas um fracasso total, continuamos gastando bilhões de reais com a repressão e assistindo milhares de pessoas perdendo suas vidas nesses intermináveis e sangrentos confrontos entre traficantes e policiais.



Muitos países em todo mundo começam a legalizar e regulamentar o comércio e uso de substâncias entorpecentes, acabando com o submundo do tráfico e passando a tributar tal atividade, recolhendo impostos e acredite criando empregos e diminuindo o número de mortes gerado pela clandestinidade.



Cabe ressaltar que os países que adotaram tal postura não apoiam o uso deliberado das drogas, tanto que o foco das políticas de drogas nesses países é a prevenção, demonstrando os males que são causados pelas drogas e propiciando tratamento aos dependentes; de outra sorte, se o indivíduo optar pelo uso, este será realizado sob a regulamentação do Estado visando o mínimo de dano ao usuário e em contrapartida a toda sociedade.



A proibição do uso de entorpecentes faz surgir o tráfico de drogas, uma atividade que embora ilícita seja altamente lucrativa, razão pela quais traficantes se armam fortemente, inclusive com fuzis, para defender seus territórios de invasões por parte de outros traficantes e para confrontar a Polícia. Enquanto isso a sociedade fica no meio do fogo cruzado e muitos são vítimas das chamadas “balas perdidas”.



Com a atual política de combate as drogas, embora custem bilhões de reais aos cofres públicos, nada mais fazemos do que “enxugar gelo”, chegou o momento de nossos representantes, da sociedade e de nós mesmos, entendermos que caso não optemos por políticas inovadoras de prevenção as drogas, estaremos sendo condenados a padecer nessa invencível guerra que se instalou.



Precisamos quebrar os tabus, assumir nossas responsabilidades e compreendermos que o combate as drogas assim como a prevenção deve ser iniciada no seio da família, nas igrejas, nas escolas, ou seja, em toda sociedade. E mesmo com políticas inovadoras de prevenção, ainda teremos na sociedade aqueles indivíduos que irão optar pelo vício, nestes casos restará ao Estado à legalização e regulamentação do uso, para que estas pessoas sofram o mínimo dos males proporcionados pelas drogas e que não façam toda sociedade padecer com seu vício na invencível guerra contra as drogas.

Paulo Roberto Jesus Santos
Investigador de Polícia
Graduado em Gestão Pública
Especialista em Segurança Pública
Bacharelando em Direito
Pós-Graduando em Docência no Ensino Superior
www.paulorobertovidapublica.blogspot.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário