01/02/2017

Coluna do Luiz Vanderlei Rodrigues - Quem é o Thiago Queiroz?


"Prezados Leitores de nossa Coluna, nosso entrevistado de hoje é nosso amigo Thiago.
"Thiago vamos começar esta entrevista por tua apresentação

_Primeiramente gostaria de agradecer a você Luiz Rodrigues pela oportunidade de expor um pouco de meus conhecimentos e pesquisas mediante as Tecnologias Assistiva e sobre a Autonomia de Pessoas com
Deficiência Visual.

Em segundo, agradeço aos leitores do Blog que lerão minha entrevista e de algum modo propagarão os conhecimentos advindos dessa entrevista.
_Meu nome é Thiago Fernando de Queiroz, tenho 28 anos, sou filho de Daniel Praxedes de Queiroz e de Francisca Martir Lassalete Fernandes, nasci em Santos – SP, morei até os 21 anos em São Vicente – SP e hoje resido e estudo em Mossoró - RN , sou pessoa com deficiência visual
(Baixa Visão Grave/ Visão Subnormal).
Estou graduando bacharelado em Direito e Licenciatura em Filosofia, concluí os cursos de Técnico em Logística, Auxiliar de Recursos Humanos, Administração Pessoal e Gestão de Pessoas, Elaboração de Projetos Sociais e Massoterapia.
No campo acadêmico tenho 4 artigos científicos publicados e 3 aprovados para a publicação; tenho mais de 50 horas de estudos da Lei Brasileira de Inclusão, mais de 20 horas em estudos de Gestão de Pessoas e Empreendedorismo e mais de 180 horas em pesquisas sobre Tecnologias Assistivas.

_Atualmente estou como Conselheiro da Associação dos Deficientes Visuais de Mossoró – ADVM e do Conselho Municipal de Saúde de Mossoró – RN representando ONG’s  e Pessoas com Deficiência.
Em 2015 tive a oportunidade de representar o Município de Mossoró – RN como Delegado Estadual das Conferências dos Direitos Humanos, da Saúde, da Juventude e dos Direitos da Pessoa com Deficiência e em 2016
representei as Pessoas com Deficiência do Estado do Rio Grande do Norte na Conferência Nacional dos Direitos Humanos em Brasília – DF.

_Além de estudar e lutar pelos direitos das Pessoas com Deficiência sou um amante das letras, por isso, adoro escrever, compor, recitar poemas; e, principalmente, brincar com as palavras improvisando canções mediante as narrativas das pessoas.
Por esse amor das palavras, tenho 40 composições, mais de 120 poemas e estou escrevendo um livro cujo título é “Saberes e Memórias em Histórias de Mim”, esse livro relatará minhas vivências pautando no crescimento intelectual mediante as narrativas de familiares, amigos e
de pessoas que passaram por minha vida.

"Hoje você é um pesquisador na área de Tecnologias Assistivas, porém, o que lhe motivou a pesquisar sobre essa temática?

_Boa pergunta Luiz, primeiramente não me vejo ainda como um pesquisador, mas, quem sabe um dia poderá ter esse título. Como disse anteriormente, sou pessoa com deficiência visual, tenho apenas 10% de visão.
Até os 21 anos morei em São Vicente – SP, uma cidade vizinha a Santos – SP. Contudo, mediante as complicações em minha visão, meus pais acharam por bem eu ir para o Estado do Rio Grande do Norte, residi e ajudar meus avós maternos na lida do campo.
Como não me habituei na lida do campo, decidi aos 25 anos fazer uma faculdade, assim o fiz..
Entretanto, devido as dificuldades mediante ao desconhecimento dos docentes sobre as Tecnologias Assistivas tive que trancar a matricula do Curso de Administração.
Como não queria desistir dos estudos, fui fazer cursos profissionalizantes.
Em um dos cursos profissionalizantes que fiz acabei sofrendo com a discriminação, a falta de acessibilidade atitudinal e o déficit nas matérias pedagógicas que poderiam me auxiliar nos estudos.
Porém, o ápice da minha motivação nos estudos e pesquisas das Tecnologias Assistivas foi a atitude de um professor em um dos cursos que fiz.
Irei detalhar o fato:

_O professor passava os conteúdos mediante ao uso de um projetor que projetava os textos na lousa, contudo, como não enxergava, sempre pedia ajuda aos amigos que sentavam próximos de mim.
Todavia, certo dia meus amigos não vieram; e, como não queria ficar sem copiar as lições e de igual modo gravá-las em áudio pelo celular para quando chegasse em casa assim poder estudar, pedi ao professor que ditasse os conteúdos projetados, no entanto, na primeira vez o professor não respondeu, pedi a segunda vez, e, nada.
Um pouco revoltado, porém pedindo com educação, repliquei ao professor que ditasse o conteúdo, o mesmo assim não o fez.
Minha revolta foi tão grande que fui ao banheiro lavar o rosto para acalmar-me e enfim retornei a sala.
Nesse retorno a sala disse ao professor que estava ali para estudar e que a obrigação dele é permitir que eu fosse instruído Confesso que não foi um clima legal, mas, pensei comigo mesmo “o que eu posso fazer para que meus amigos cegos e com baixa visão não passem por isso?
Foi Mediante a esse questionamento que comecei a estudar e pesquisar sobre as Tecnologias Assistivas.

"Conte-nos um pouco Thiago sobre suas pesquisas.

_Hoje minhas pesquisas se fundam em duas metodologias, ambas utilizando os smartphones como prática da autonomia de Pessoas com Deficiência Visual.
Uma delas surgiu da elaboração de um Trabalho de Conclusão de Curso, eu e meu orientador buscamos meios que possibilitasse que pessoas com deficiência visual não passasse o que eu passei em um dos cursos que fiz.
Assim, analisamos que o QR Code seria uma ferramenta imprescindível, pois, como o QR Code é um código de barras bidimensional que pode ser criado gratuitamente em sites; e, que tendo um aplicativo no smartphone que decodifique o código, poderá a pessoa com deficiência
visual saber das informações contidas em tal código.
O método funciona da seguinte forma: havendo um texto ou informativo em slides, placas, sinalizações, livros, objetos e outros locais.
Criar-se-á um QR Code com os textos contidos em tais parâmetros.
Assim, a pessoa com deficiência visual utilizando seu smartphone, tendo o mesmo o aplicativo instalado que decodifica o Código de Barras Bidimensional, direcionará a câmera do aparelho em direção ao QR Code;
com isso o aplicativo que faz a decodificação transformará o código em texto e usando o Leitor de Tela, o mesmo fará a leitura do texto.
Esse método foi testado por 10 pessoas cegas e 15 com baixa visão, ambas denominaram que a metodologia é excelente e que ajudaria demais, tanto no campo acadêmico como no cotidiano.
Essa metodologia que usa o QR Code se divide nas possibilidade da não necessidade do uso da internet e da necessidade da internet.
A segunda metodologia foi pensada e analisada por mim e por João Ferreira, ambos fazemos parte do Conselho da Associação dos Deficientes Visuais de Mossoró – RN – ADVM.
Ao observarmos os relatos dos associados mediante a complexidade de não ter um ledor 24 horas por dia e considerando as relevantes dificuldades que os mesmos têm em saber das informações contidas em livros, documentos, produtos em supermercado  e entre outros locais, João Ferreira informou-me de um aplicativo da Google que poderia se tornar uma Tecnologia Assistiva.
No mesmo instante me dispus a instalar o aplicativo em meu smartphone e observar as finalidades.
Comecei as pesquisas sobre o aplicativo e a estudar os melhores métodos e viabilidades, em duas semanas já sentia-me seguro a repassar esse conhecimento aos membros da ADVM, e, assim o fiz.
Esse aplicativo é super fácil de usar, pois, ao abrir o aplicativo ele terá o painel como o da câmera do celular, ao direcionar a câmera ao texto desejado e tirar a foto, o aplicativo irá fazer o escaneamento da imagens e contendo textos, utilizando o Leitor de Tela que já vem nos smartphones, a pessoa com deficiência visual poderá ter
a informação que desejar, porém, esse aplicativo só funciona se estiver conectado com a internet.
Ao explicar a metodologia a 3 associados cegos e 5 com baixa visão, ambos informaram que a metodologia é excelente, porém, a pessoa tem que ter o domínio dos leitores de tela de smartphones e compreender a
distância que deverá tirar a foto. Tendo esses resultados, eu e João Ferreira decidimos ministrar um minicurso para ensinar professores do AEE do município de Mossoró – RN para que os mesmo possam auxiliar seus alunos com deficiência  visual, pois, nas escolas do município
atualmente existem 10 crianças cegas e 28 com baixa visão regularmente matriculadas.
Nos dias 28, 29 e 30 de novembro foi ministrado o minicurso,
divulgamos o máximo que podíamos, porém, somente compareceu 10 professores e apenas 7 pessoas com deficiência visual.
Tínhamos aberto vagas para 20 pessoas com deficiência da ADVM, porém, os mesmos não deram muito crédito.
Contudo, o minicurso foi dado e percebi que todos que compareceram sentiram-se maravilhados com tais conhecimentos.
Fiz um artigo científico que aborda como usar o QR Code como ferramenta inclusiva e o defendi no III Seminário Potiguar, evento ocorrido nos dias 7, 8 e 9 de dezembro na Universidade Estadual do Rio Grande do Norte – UERN.
Na defesa do artigo havia pessoas que coordenavam departamentos de inclusão de outras universidades e escolas, e, ao finalizar a defesa, fui convidado para ministrar minicursos em 2017 em três instituições
de ensino, isso me trouxe enorme alegria.

"O que você pretende com essas pesquisas?

_Minhas pretensões é tornar a vida das pessoas com deficiência visual cada vez mais autônoma, viabilizando assim uma melhor qualidade de vida para nós.
Em minha primeira pesquisa algumas pessoas disseram: Você vai ganhar muito dinheiro com isso. Porém, respondi as mesmas que meu desejo é ensinar essas metodologias gratuitamente, pois, como tinha dito antes, não quero que os outros passem o que eu passei e passo por ser pessoa
com deficiência visual.

"Então você pretende ensinar essas metodologias gratuitamente.
"Diga-nos então como nossos leitores poderão contatar você para aprender usar essas metodologias?

_Sim Luiz, pretendo ensinar gratuitamente; e, aos leitores o que posso dizer é que existe alguns artigos que serão publicados por volta do mês de junho de 2017 explicando como utilizar tais metodologias.
Porém, eu não estando em época de provas e trabalhos das duas faculdades, poderei ir a localidade onde quiserem para que assim possa repassar o conhecimento.
Meu e-mail para contato é:
E-mail: thiagoinclusaopcd@hotmail.com
Cel/Whats App: 84 999036810

_No entanto Luiz, para o deslocamento eu não tenho como custear, pois, o dinheiro que ganho é para meus estudos, aluguel e alimentação e as vezes não sobra para o vestuário e calçados.
Contudo, sei que quando terminar meus estudos e passar na OAB poderei ter uma vida mais tranquila.

_Obrigado Luiz pela entrevista!
"E, aproveitando o momento, qual mensagem você pode deixar para nossos leitores?

_Desde criança tive que aprender a superar os obstáculos que vinha em minha vida mediante a deficiência visual, por isso, criei uma filosofia onde digo e de igual modo repasso aos leitores desse Blog:
“Faça de suas dificuldades oportunidades para mostrar a você mesmo que é capaz, que pode.
Não faça as coisas querendo superar os outros, mas sim, supere-se a si mesmo”.
Sendo assim, agradeço a todos que leram essa entrevista, muito obrigado mesmo, vamos todos nós de algum modo propagar a inclusão, sucesso a todos e todas!
Abraço!
Thiago Queiroz.


Um comentário:

  1. este e meu filho que eu admiro de mas ele enfrenta todas as dificudades na vida vai sempre em frente vc e mas do que vencedor DEUS e quem vai sempre te giar na sua vida parabes meu amo vc sabe o quanto nos tiamamos ne bjssssss

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