22/07/2017

Cientistas descobrem que Neandertais tomavam “aspirinas”



Um estudo realizado por pesquisadores de 31 países sobre espécimes Neandertais – dos quais dois de 49 mil anos de idade encontrados na caverna EL Sidrón (Astúrias), e os outros dois oriundos da caverna Spy (Bélgica) – trouxe à tona informações novas e surpreendentes sobre nossos hábitos antepassados.

A pesquisa se baseou em algo nunca analisado antes: as amostras dos depósitos de tártaros dentais dos Neandertais, onde foi encontrado DNA de diferentes espécies de animais, plantas e fungos dos quais eles se alimentavam, assim como amostras das bactérias existentes em suas bocas. “Um verdadeiro tesouro de informação”, segundo o paleontólogo Antonio Rosas, membro da equipe de pesquisa.
Uma das descobertas que mais surpreenderam os especialistas foi a diferença entre as dietas dos Neandertais do norte da Europa e as dos de Sidrón, reveladas pelos restos de DNA encontrados em suas bocas: enquanto os primeiros comiam carne (rinocerontes-lanudos e muflões), os segundos consumiam somente pinhões, musgos e cogumelos (é possível que tenham ingerido carne em tão pouca quantidade que não ficaram quaisquer rastros genéticos). Mas os cientistas sempre acreditaram que ambas as dietas eram altamente carnívoras.

Um dos aspectos mais impressionantes da pesquisa tem a ver com o que foi encontrado no “indivíduo 2”, da caverna El Sidrón. Os depósitos de tártaro em seus dentes continham DNA de fungos como o Penicillium (antibiótico natural) e o Populus, cujas cascas, raízes e folhas possuem ácido salicílico, princípio ativo das aspirinas modernas. Nesse indivíduo, foram descobertos também os restos de um patógeno conhecido como Enterocytozoon bieneusi, que provoca sérios problemas gastrointestinais nos seres humanos, assim como um orifício na mandíbula que indica um abscesso. Ou seja, o indivíduo sofria de uma doença bucal e gastrointestinal grave, que pode ter relação com as plantas medicinais encontradas no tártaro dental. Isso sugere que os Neandertais conheciam o efeito terapêutico das plantas e as utilizavam para se curar. Um fato sem precedentes, inclusive entre indivíduos de nossa própria espécie, considerada a mais avançada.


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