15/09/2017

A cozinha da Casa Grande



Segundo as informações de um conceituado blog da cidade do Recife, a viúva (e pessoa sempre presente nos atos da atual administração de estado de Pernambuco) teria tomado a decisão de candidatar o filho mais velho ao mandato de deputado federal e o secretário de Turismo, Felipe Carreras, à sucessão de Paulo Câmara (PSB) nas eleições do próximo ano.

A se confirmarem essas informações, a solução para os problemas políticos e sociais do Estado continuarão "caseiras", tomadas por um "petit comitê", chefiado pela matriarca da família Campos. Solução que conta naturalmente com o apoio da avó, com a oposição do tio, e com a aceitação tácita dos amigos e seguidores da oligarquia ora dominante.
Desde o cortejo fúnebre do ex-governador, esposo, pai e filho de Ana Arraes, que essa pré-candidatura foi alimentada no bojo da construção de uma falsa e pretendida legenda política em Pernambuco: o avô, o pai...e agora, o neto. Uma linhagem familiar nos padrões da política patrimonialista do nosso Estado, onde os cargos e mandatos parecem prebendas ou privilégios de membros de certas famílias ilustres que nasceram para governar.
Descontando a receita preparada no interior da cozinha da Casa Grande, é preciso atentar para as características do momento político que ora atravessamos, seja no Estado ou no país. O destino político incerto dessa oligarquia em relação à sucessão presidencial, e o governo ruinoso e impopular do atual gestor da capitania (hereditária?). O nome deste gestor já vem sendo objeto de muitas especulações, no sentido de sua troca ou pelo nome do atual prefeito da capital e, agora, do secretário de Turismo.
Pelo visto, quem decide a política estadual é a viúva e seu seus conselheiros, à revelia dos interesses da população de Pernambuco. Curioso é o destino das alianças do PSB, nas próximas eleições estaduais e nacionais. O partido parece está dividido entre o PSDB paulista e o PT de Lula.
A opção da oligarquia estadual pela aliança com o PT teria que enfrentar a tendência do partido em São Paulo de se compor eleitoralmente com o PSDB, apoiando Alckmin ou Doria em troca da sucessão estadual paulista. O que pode significar uma ruptura do grupo pernambucano com o PSB nacional.
Por outro lado, a possibilidade de uma aliança com o PT, aqui no Estado, causaria arrepios e calafrios nos opositores (do próprio partido) à ação desagregadora produzida pelo PSB no campo da esquerda pernambucana. É difícil engolir os sapos da administração socialista, com as perseguições, as denúncias, a incúria na gestão dos negócios públicos etc.
A esquerda tem um enorme desafio político pela frente: reconstruir o seu campo e a seu programa, sem se comprometer - de um lado ou de outro - com projetos políticos meramente eleitorais e estratégicos, cujas as alianças ajudam a desacreditar os seus princípios e o seu programa. Mais ainda num terreno minado como esse daqui do nosso Estado. É preciso pensar que há objetivamente o fim de um ciclo político-partidário no nosso país e a necessidade de construção de um novo tempo político.
P.S. - A adoção do voto distrital nas próximas eleições pode ajudar e muito os currais eleitorais dos grotões do país a elegerem deputados conservadores, inexperientes e de famílias tradicionais.

Michel Zaidan
Brasil 247

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