11/02/2018

Stephen Hawking diz que devemos parar de procurar aliens



No meio de tanto empolgação com as novas possibilidades trazidas pela tecnologia, alguns cientistas jogam do lado do pessimismo. Stephen Hawking é um deles: o físico quer usar seus talentos para ajudar a descobrir se existe vida fora da Terra. No entanto, ele sabe que tem uma das mentes mais brilhantes do planeta – mas não do Universo, e esse é seu medo.

Hawking lançou um novo documentário em parceria com o site Curiosity Stream, um Netflix com conteúdo de História e Ciência. Com 25 minutos, o filme, feito em computação gráfica, leva Stephen Hawking em uma “nave espacial” chamada SS Hawking. Lá dentro, ele visita seus lugares favoritos no tempo e no espaço. A viagem começa, é claro, no Big Bang, onde o cientista conta a história do Universo em paralelo a suas aventuras pessoais na pesquisa e no combate à esclerose amiotrófica lateral.
São só imagens lindas até o momento que o cientista chega em Gliese 832c, um planeta a 16 anos-luz da Terra, e começa a refletir sobre vida alienígena. Hawking tem tanta certeza de que não estamos sozinhos no Universo que é um dos líderes do projeto Breakthrough. A iniciativa milionária, apoiada pelo empresário russo Yuri Milner e até por Mark Zuckerberg, é um tanto quanto maluca.
Na fase atual, o projeto quer escanear os planetas mais próximos da Terra em busca de vida. Mas o que preocupa Hawking não é encontrar aliens – e sim o que fazer depois que eles aparecerem.

Colombo e bactérias humanas

O cientista gosta de usar a descoberta da América como metáfora: quando Colombo chegou por essas bandas e deu de cara com os índios, os primeiros encontros “não deram muito certo”, como define o físico.
A grande preocupação dele é que uma civilização capaz de entrar em contato conosco pode estar bilhões de anos a nossa frente em termos de desenvolvimento e inteligência. “Se for o caso, eles nos verão como seres tão valiosos como as bactérias são para nós”, afirma no filme.
Hawking não é o único a pensar assim. Neil deGrasse Tyson, outro “cientista pop”, também acredita que se existe vida mais inteligente que a nossa no Universo, esses seres podem estar nos assistindo por diversão, como animais em um zoológico. Tyson usa o próprio Hawking na sua metáfora: “Uma mente tão brilhante quanto a de Stephen pode ser equivalente à de um bebê alienígena.”
Essas preocupações não são só teóricas, visando um futuro distante. Stephen Hawking acha que já cometemos um erro grave. Desde as primeiras missões espaciais a humanidade emite sons e sinais para tentar localizar vida extraterrestre, o que revela nossa localização para todos as regiões mais próximas no Universo.
Há 40 anos, as sondas Voyager passeiam fora do Sistema Solar carregando CDs banhados a ouro, esperando para ser encontrados por formas de vida inteligentes o suficiente para dar play e escutar Beatles e Beethoven. Se Hawking estiver certo e o pior acontecer, o melhor é torcer para que os aliens, no mínimo, apreciem nosso gosto musical.

Ana Carolina Leonardi
super

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