12/05/2018

Estudo revela que pioneiro da psiquiatria infantil colaborou com nazistas



O médico austríaco Hans Asperger (1906 – 1980) ficou famoso por seu trabalho nos campos da pediatria e psiquiatria infantil. Sua contribuição na pesquisa sobre o autismo ajudou a identificar uma síndrome que leva seu sobrenome. Agora, um lado sombrio de seu passado foi descoberto: ele foi participante ativo no programa de eugenia dos nazistas.

O fato foi revelado por Herwig Czech, da Universidade de Viena. O pesquisador passou oito anos analisando documentos inéditos sobre o médico, inclusive seus arquivos pessoais e prontuários de seus pacientes. Asperger seria tão próximo dos nazistas que teria enviado pacientes para a clínica Am Spiegelgrund, local destinado a crianças que, segundo o regime, "não eram dignas de viver". 
Cerca de 800 crianças morreram na clínica entre 1940 e 1945. Muitas delas foram alvo de "eutanásia infantil". Czech também encontrou documentos que mostram que Asperger dizia que vítimas de abuso sexual infantil eram culpadas pela violência que haviam sofrido. Além disso, seus diagnósticos apresentavam estereótipos antissemitas.
Após o colapso do nazismo, o médico continuou a atuar em sua especialidade por 30 anos. Na época em que o termo "Síndrome de Asperger" foi cunhado, em 1981, não se sabia do envolvimento dele com o nazismo. Herwig Czech acusa outros historiadores e pesquisadores de terem ocultado o passado condenável do médico durante anos.

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