07/06/2018

O FIM DA MONSANTO



A empresa norte americana Monsanto sempre esteve envolvida em polêmicas das mais diversas por todo o planeta, algumas delas sobre pesticidas e sobre suas sementes geneticamente modificadas.

O grupo alemão dos setores farmacêutico e agroquímico Bayer anunciou nesta segunda-feira (4/6) que suprimirá a marca Monsanto depois de comprar a empresa americana de sementes e pesticidas.
A Bayer informou que pretende completar a compra da Monsanto em 7 de junho por um valor próximo a 63 bilhões de dólares. O grupo alemão afirmou que recebeu todas as autorizações necessárias das agências reguladoras.

"Bayer continua sendo o nome da empresa. Monsanto como nome de empresa não será mantido", afirma um comunicado divulgado pelo grupo alemão. As marcas dos produtos vendidos pela Monsanto, no entanto, serão mantidas. 

Dentre os produtos da "extinta" Monsanto, destacamos alguns aqui:
Roundup, ou glifosato
Comercializado desde 1974 pela Monsanto com o nome de Roundup, o glifosato é um pesticida "de amplo espectro" muito eficaz. A licença da Monsanto caiu em domínio público em 2000, e o glifosato é agora produzido por várias empresas. Trata-se, hoje, do pesticida mais usado no mundo.
Em março de 2015, foi classificado como "cancerígeno provável" pelo Centro Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (CIRC), agência subordinada à Organização Mundial de Saúde (OMS).
Apesar da oposição de vários países-membros, sua autorização na União Europeia (UE) foi renovada por cinco anos, em novembro de 2017. Na França, o presidente Emmanuel Macron prometeu que a substância será proibida no país "no mais tardar em três anos", enquanto que na Itália e na Holanda seu uso foi restringido.
Suspeito de provocar uma nova doença dos rins entre os moradores das zonas de produção de arroz, o pesticida foi proibido no Sri Lanka em junho de 2015, mas essa proibição foi, desde então, parcialmente suspensa.
Lasso
O Lasso é um outro pesticida polêmico, composto de uma substância química chamada alacloro e comercializada pela Monsanto.
Em setembro de 2015, a Justiça francesa condenou o grupo americano a indenizar um agricultor francês, intoxicado por vapores emitidos por esse pesticida em 2004.
Considerado perigoso e retirado do mercado - desde 1985, no Canadá, e em 1992, no Reino Unido e na Bélgica -, o Lasso foi proibido na França em abril de 2007, em razão da não renovação de sua autorização no nível europeu.
As sementes OGM
A partir de meados dos anos 1990, a Monsanto começa a comercializar sementes geneticamente modificadas, concebidas para resistirem a seu pesticida Roundup.
O princípio é poder pulverizar glifosato em massa nos campos para eliminar ervas daninhas e manter apenas os cultivos de milho, soja, algodão, entre outros, resistentes ao pesticida.
A autorização de culturas de OGM na União Europeia causou polêmica e batalhas jurídicas ao longo dos últimos 20 anos.
Desde o fim da década de 1990, a França defende o "princípio da precaução" para suspender os testes de cultura de milho OGM da Monsanto.
Enquanto a UE acaba deixando para os Estados-membros a decisão de cultivar, ou não, os OGM, a França proíbe a cultura do milho geneticamente modificado da Monsanto, o MON 810, com uma portaria e depois com uma lei votada em 2014.
Nos Estados Unidos, os agricultores viram naufragar, várias vezes, suas ações na Justiça para contestarem as culturas de sementes OGM da Monsanto.

O grupo alemão não apresentou nenhuma justificativa par a supressão do nome Monsanto. Desde o anúncio da aquisição da empresa americana em meados de 2016, os defensores do meio ambiente pressionam as autoridades com protestos.

"Vamos ouvir os que nos criticam e vamos trabalhar juntos, mas o progresso não deve ser detido pelo fortalecimento das frentes ideológicas", declarou Werner Baumann, presidente da Bayer. 

A aquisição da Monsanto, iniciada em setembro de 2016, está avaliada em quase 63 bilhões de dólares (53,8 bilhões de euros, com base no valor da dívida da empresa em fevereiro de 2018.

As agências que regulamentam a concorrência nos Estados Unidos e na Europa autorizaram a operação, mas obrigaram a venda de atividades importantes à rival alemã BASF, avaliadas em quase 9 bilhões de dólares (7,7 bilhões de euros).
Ao mesmo tempo, a compra da Monsanto por 63 bilhões de dólares, um valor sem precedentes para um grupo alemão por uma empresa estrangeira, é um momento histórico para a Bayer, cujo objetivo é reforçar consideravelmente sua divisão agroquímica, a segunda em importância, atrás apenas da farmacêutica.
Para financiar a operação, a Bayer anunciou no domingo uma ampliação de capital de 6 bilhões de euros e uma dívida de mais de 30 biçhões de dólares, o que nesta segunda-feira levou a agência de classificação financeira Standard and Poor's a reduzir sua nota de crédito a longo prazo de "A-" a "BBB".
O anúncio da fusão, em maio de 2016, foi o resultado da aposta da Bayer por uma agricultura cada vez mais intensiva, em um planeta que terá 10 bilhões de habitantes em 2050, mas que não possui terras cultiváveis suficientes para alimentar a todos.
A Monsanto, uma empresa fundada em 1901 pelo químico John Francis Queeny, se concentrou a partir dos anos 1990 na química agrícola e se especializou nos produtos fitossanitários e semente.
As agências que regulamentam a concorrência nos Estados Unidos e na Europa autorizaram a operação, mas obrigaram a Bayer a vender parte de suas atividades à rival alemã BASF.
Após a fusão, a divisão agroquímica da Bayer terá um faturamento de quase 20 bilhões de euros, valor que já leva em consideração a venda de atividades para a BASF, que representam quase 2 bilhões de euros.
A nova empresa vai superar as concorrentes do setor que concretizaram fusões recentemente: ChemChina, que se uniu à suíça Syngenta, e Dow com DuPont, duas empresas americanas.
A princípio, as autoridades expressaram o temor de um abuso de posição dominante na área dos produtos agrícolas.
A fusão também permitirá a Bayer assumir o Roundup, o polêmico herbicida que alguns estudos consideram cancerígeno.
"Para nós, a Monsanto agora se chama Bayer", afirmou a associação ecologista Bund, enquanto o Greenpeace pediu "uma mudança fundamental da política comercial da nova megaempresa".
"Vamos ouvir os que nos criticam e vamos trabalhar juntos, mas o progresso não deve ser detido pelo fortalecimento das frentes ideológicas", declarou Werner Baumann, presidente da Bayer.

com conteúdo
AFP
JB
CB

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