26/07/2018

Facebook retira do ar rede de ‘fake news’ ligada ao MBL antes das eleições e MPF dá 48 horas para se explicar



O Facebook retirou do ar nesta quarta-feira, 25, uma rede de páginas e contas usadas para divulgação de notícias falsas por membros do grupo ativista de extrema-direita Movimento Brasil Livre (MBL), disseram fontes à Reuters, como parte dos esforços para reprimir perfis enganosos antes das eleições de outubro.

O Facebook disse em um comunicado que desativou 196 páginas e 87 contas no Brasil por sua participação em “uma rede coordenada que se ocultava com o uso de contas falsas no Facebook, e escondia das pessoas a natureza e a origem de seu conteúdo com o propósito de gerar divisão e espalhar desinformação”.
O comunicado não identifica as páginas ou usuários envolvidos.
As fontes, que falaram sob condição de anonimato, disseram que a rede era administrada por membros importantes do MBL. O grupo ganhou destaque ao liderar protestos em 2016 pelo impeachment da então presidenta Dilma Rousseff com um estilo agressivo de política online que ajudou a polarizar o debate no Brasil.
Representantes do MBL não responderam de imediato a diversos pedidos para comentarem a decisão da rede social.
O conteúdo das páginas desativadas, que juntas tinham mais de meio milhão de seguidores, variava de notícias sensacionalistas a temas políticos, com uma abordagem claramente conservadora, com nomes como Jornalivre e O Diário Nacional, de acordo com as fontes.
Ao deturpar o controle compartilhado das páginas, os membros do MBL eram capazes de divulgar suas mensagens coordenadas como se as notícias viessem de diferentes veículos de comunicação independentes, de acordo com as fontes.
O Facebook tem enfrentado pressão para combater as contas falsas e outros tipos de perfis enganosos em sua rede.
No ano passado, a empresa reconheceu que sua plataforma havia sido usada para o que chamou de “operações de informação” que usaram perfis falsos e outros métodos para influenciar a opinião pública durante a eleição norte-americana de 2016, e prometeu combater as fake news.
Agências de inteligência dos Estados Unidos afirmam que o governo russo realizou uma campanha online para influenciar as eleições no país, e casos de grupos políticos que usam a rede social para enganar as pessoas têm surgido pelo mundo desde então.
Não há indicação de envolvimento estrangeiro na rede do MBL tirada do ar nesta quarta-feira, de acordo com as fontes.
O Facebook disse que retirou a rede do ar no Brasil após uma “rigorosa investigação” porque os perfis envolvidos eram falsos ou enganadores, violando sua política de autenticidade.
A rede social tem um conjunto separado de ferramentas para combater a disseminação de notícias falsas com a ajuda de empresas externas de checagem de fatos.
Quem não gostou foi o MPF, o Ministério Público Federal deu um prazo de 48 horas para que o Facebook entregue uma relação com as 196 páginas e 87 perfis excluídos nesta quarta-feira da rede social, sob acusação de violar as “políticas de autenticidade” da plataforma e atuar de forma coordenada para promover a “desinformação”.
No ofício, o procurador da República Ailton Benedito diz que as informações são “imprescindíveis à atuação” do MPF em um inquérito, também aberto por ele, que apura se a rede social censurou publicações contra a exposição Queermuseu, em 2017. Por enquanto, o Facebook não é obrigado a atender ao ofício. Em caso de negativa, o MPF poderá recorrer à Justiça para que esta demande as informações da rede.
Nas redes sociais, Ailton Benedito já acusou o Facebook de ser o “comando de caça aos conservadores durante as eleições”. Procurado por VEJA antes da mensagem do MPF, a rede social afirmou que não revelaria os nomes das páginas e perfis excluídos, a maior parte deles ligados ao Movimento Brasil Livre (MBL), incluindo seccionais e lideranças do grupo.
A página principal do MBL seguiu no ar, mas outras, como as dos sites Jornalivre e O Diário Nacional, foram excluídas. A página do movimento Brasil 200, presidido pelo empresário Flávio Rocha, que até a semana passada era pré-candidato à Presidência da República pelo PRB e com o apoio do movimento, também foi atingida.
Em declaração muito criticada em todo o mundo, Mark Zuckerberg exemplificou a dificuldade de lidar com a questão ao defender a manutenção de conteúdos que questionam a existência do holocausto. “Sou judeu e acho isso profundamente ofensivo, mas não acredito que a nossa plataforma deveria remover, pois penso que há coisas que pessoas entendem de maneiras diferentes. Não imagino que estejam errando intencionalmente”, declarou.


conteúdo
Reuters
El País

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