20/11/2018

Haddad vira réu por corrupção e lavagem de dinheiro



O candidato petista derrotado à Presidência da República, Fernando Haddad, se tornou réu nesta segunda-feira (19/11) por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em um caso que envolve suspeita de pagamento irregulares para quitar dívidas da sua campanha à prefeitura de São Paulo em 2012. É a primeira vez que o ex-prefeito se torna réu em uma ação criminal.

O caso é um derivado da Operação Lava Jato. A denúncia foi apresentada em setembro pelo Ministério Público e acabou sendo aceita pelo juiz Leonardo Barreiros, da 5ª Vara Criminal da Barra Funda, em São Paulo. A denúncia teve base nas delações do empreiteiro e do doleiro Alberto Youssef, além de uma investigação da Polícia Federal. O MP acusa a campanha de Haddad de ter recebido de forma indevida 2,6 milhões de reais da empreiteira UTC Engenharia para saldar dívidas de campanha.
Além de Haddad, outras cinco pessoas viraram réus na ação, incluindo o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, Ricardo Pessoa, Alberto Youssef e o ex-deputado estadual Francisco Carlos de Souza. O Ministério Público também havia denunciado o grupo for formação de quadrilha, mas esta acusação acabou não sendo aceita pelo juiz.
De acordo com a denúncia, entre abril e maio de 2013, Ricardo Pessoa, presidente da UTC, recebeu um pedido de Vaccari para fornecer 3 milhões de reais. Segundo a acusação, Vaccari atuou como representante de Haddad na operação, que tinha como objetivo saldar uma dívida de uma gráfica que pertencia a Francisco Carlos de Souza. Do valor, 2,6 milhões teriam sido efetivamente pagos.
Após a divulgação da decisão do juiz, Haddad negou qualquer irregularidade e classificou a conduta do Ministério Público de abuso. "A denúncia é mais uma tentativa de reciclar a já conhecida e descredibilizada delação de Ricardo Pessoa", afirmou o ex-prefeito, em nota.
"Com o mesmo depoimento, sobre os mesmos fatos, de um delator cuja narrativa já foi afastada pelo STF, o Ministério Público fez uma denúncia de caixa 2, uma denúncia de corrupção e uma de improbidade. Todas sem provas, fincadas apenas na desgastada palavra de Ricardo Pessoa, que teve seus interesses contrariados pelo então prefeito Fernando Haddad. Trata-se de abuso que será levado aos tribunais", finaliza a nota.
Haddad já havia se tornado réu em agosto, em uma ação de improbidade que envolve suspeitas na construção de uma ciclovia na capital paulista.

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DW

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