14/02/2019

Bonnie & Clyde - Beto e Fernanda réus 'juntinhos' na Lava Jato



Bonnie e Clyde foram um casal de criminosos americanos que viajavam pela região central dos Estados Unidos da América com sua gangue durante a Grande Depressão, roubando e matando pessoas quando encurralados ou confrontados. Suas façanhas atraíram a atenção do público americano durante a "Era dos Inimigos Públicos", entre 1931 e 1936. Embora conhecidos hoje por seus mais de uma dúzia de assaltos a bancos, a dupla roubava com mais frequência pequenas lojas ou postos de gasolina rurais. Acredita-se que a gangue tenha matado pelo menos nove policiais e vários civis. O casal acabou sendo emboscado e morto por policiais perto de Sailes, Paróquia de Bienville, Louisiana. Mas, o que roubaram até sua morte, é uma esmola, comparado a montanha de dinheiro que o MPF (Ministério Público Federal) acusa Betinho 'malvadeza' Richa e sua esposa Fernanda de terem recebido em propinas durante o 'des'governo do casal no Paraná...
A Justiça Federal aceitou, na noite de quarta-feira (13), a denúncia por lavagem de dinheiro e tornou réus o ex-governador Beto Richa, a ex-primeira-dama, Fernanda Richa, um dos filho do casal, André Richa, e o contador dela, Dirceu Puppo na Operação Lava Jato.

O Ministério Público Federal (MPF) afirma que Beto Richa recebia propina das concessionárias de pedágio no Paraná.

Ainda conforme os procuradores, o ex-governador lavava esse dinheiro com a compra de imóveis que eram colocados no nome da empresa Ocaporã, Administradora de Bens. Fernanda Richa é dona da empresa, junto com os filhos André e Marcello Richa.

Conforme o MPF, André Richa e Dirceu Pupo, que administrava a empresa, acertaram a compra de um terreno em um condomínio em Curitiba, com parte do pagamento em dinheiro vivo. O imóvel ficou em nome da Ocaporã.

Inicialmente, o MPF não tinha incluído o nome de Fernanda na denúncia, protocolada em 29 de janeiro. Entretanto, na segunda-feira (11), decidiu colocar a ex-primeira dama entre os acusados depois de novas provas.

Em princípio, os procuradores tinham dúvidas se Fernanda Richa tomava decisões pela empresa. O MPF dizia que o depoimento de André Richa e emails da ex-primeira dama indicavam que era Beto Richa quem dava a palavra final sobre essas transações.

Entretanto, explicações sobre os e-mails, dadas pela própria Fernanda Richa no dia em que o ex-governador foi preso - em janeiro deste ano - fizeram os procuradores chegar à conclusão de que ela participou do suposto esquema.

Segundo o MPF, nos "esclarecimentos que apresentou, Fernanda Richa afirmou textualmente que seu esposo, Carlos Alberto Richa, 'não detinha a palavra final, nem mesmo a gestão, sobre as negociações da empresa Ocaporã'".


No mesmo documento, ela relatou também que discutia em conjunto "acerca do melhor momento para a venda e a compra de imóveis". 
Conforme os procuradores, as informações posteriormente trazidas aos autos voluntariamente por Fernanda Richa demonstram sua participação nos fatos criminosos.

Beto Richa é réu em outros três processos.

Nesta segunda-feira (11), o ex-governador

O que dizem os citados


As defesas de Beto Richa e de Dirceu Pupo vêm dizendo que, por enquanto, preferem não se manifestar sobre o assunto.

Veja, abaixo, a nota enviada pela defesa de Fernanda Richa e de André Richa:

"O Ministério Público Federal acusou o próprio filho do ex-governador para atingi-lo. Após o protesto de Fernanda, resolve acusá-la também. É evidente a situação de excesso de acusação e profunda injustiça. A defesa de Fernanda Richa confia no poder judiciário, que certamente saberá evitar que maiores prejuízos se produzam, pois não cometeu qualquer ilegalidade e refuta as acusações falsas criadas contra ela”.

Veja abaixo, a nota enviada pela defesa da Ocaporã:

"A Ocaporã é uma empresa patrimonial constituída em 2008 para gerir o patrimônio originário de herança do pai de Fernanda; este patrimônio não se confunde com o patrimônio de Carlos Alberto Richa. A sociedade tem como sócios apenas Fernanda e seus filhos.

Seu marido, Carlos Alberto Richa, nunca foi sócio ou geriu, nem exerceu qualquer função na empresa. Dirceu Pupo Ferreira é um funcionário responsável pela gestão da empresa, com conhecimento e confiança de Fernanda.


Todas as transações de imóveis ocorreram em razão de oportunidades comerciais reais e lícitas. A empresa jamais realizou qualquer operação com o intuito de ocultar ou dissimular valores".

com conteúdo
Alana Fonseca
G1 PR
RPC Curitiba

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