10/07/2019

O messiânico Dallagnol vai negar áudio vazado por 03 vezes?



Na bíblia Pedro negou Cristo por 03 vezes, será que o messiânico Dallagnol vai negar áudio vazado por 03 vezes?

O site The Intercept Brasil divulgou nesta terça-feira (09/07) uma mensagem de áudio atribuída ao coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol. Na gravação, com data de 28 de setembro de 2018, o procurador celebra a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que proibiu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de conceder uma entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.
No áudio, Dallagnol se dirige para outros membros da força-tarefa e recomenda que os procuradores não divulguem a notícia para evitar que a defesa do jornal ou de Lula entrassem mais cedo com recursos.

"Agora não vamos alardear isso aí. Não vamos falar para ninguém para evitar a divulgação o quanto for possível. Porque quanto antes divulgar isso, antes vai ter recurso do outro lado. (...) O pessoal  pediu pra gente não comentar aí publicamente e deixar que a notícia surja por outros canais pra evitar recurso de quem tem uma posição contrária à nossa. Mas a notícia é boa pra terminar bem a semana. Depois de tantas coisas ruins e começar bem o final de semana”, é possível ouvir no áudio atribuído a Deltan.
Esse é o primeiro áudio divulgado pelo The Intercept desde que o site começou a publicar conversas do ex-juiz Sergio Moro e de membros da Lava Jato que foram travadas por meio do aplicativo Telegram.
No final de setembro do ano passado, pouco antes do primeiro turno das eleições, o ministro do STF Ricardo Lewandowski chegou a autorizar que a jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, entrevistasse Lula na prisão. Mas no mesmo dia a decisão acabou sendo suspensa pelo ministro Luiz Fux. A decisão de Fux só seria revogada em abril deste ano. Desde então, Lula tem concedido entrevistas regulares da sede da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde permanece preso desde abril de 2018.
O aúdio atribuído a Deltan foi enviado pouco depois da decisão de Fux de proibir a entrevista. Em mensagens que acompanharam o arquivo de som, Dallagnol escreveu no grupo "Filhos do Januário 3”, que reunia outros procuradores da Lava Jato, "URGENTE. É SEGREDO. Sobre a entrevista. Quem quer sabe ouve o áudio”.
No mesmo dia, segundo o The Intercept, os procuradores haviam reagido mal à decisão de Lewandowski  que liberou a entrevista. De acordo com o site, a procuradora Laura Tessler disse que a decisão era "revoltante".
"Lá vai o cara fazer palanque na cadeia. Um verdadeiro circo. E depois de Mônica Bergamo, pela isonomia, devem vir tantos outros jornalistas... e a gente aqui fica só fazendo papel de palhaço com um Supremo desse", publicou o site.
Já a procuradora Anna Carolina Resende, disse em uma conversa privada com Dallagnol no mesmo dia, segundo o site, que estava preocupada com a "volta do PT. "Ando muito preocupada com uma possivel volta do PT, mas tenho rezado muito para Deus iluminar nossa população para que um milagre nos salve”. Dallagnol respondeu: "Reza sim".
O The Intercept Brasil afirmou que procurou os membros da força-tarefa para comentar o aúdio.
A resposta foi: "As mensagens que têm circulado como se fossem de integrantes da força-tarefa são oriundas de crime cibernético e não puderam ter seu contexto e veracidade verificados. Diversas dessas supostas mensagens têm sido usadas, de modo fraudado ou descontextualizado, para embasar falsas acusações que contrastam com a realidade dos fatos.”
Ao divulgar o áudio, o jornalista Glenn Greenwald, fundador do The Intercept, diz que espera que a divulgação encerre "para sempre, para qualquer pessoa razoável, o jogo cínico que Moro e Deltan têm usado para evitar a responsabilidade usando insinuações sobre a autenticidade desse material”.
"Será que Deltan - cuja voz é distinta e reconhecível - vai negar que essa é sua voz?”, escreveu o jornalista no Twitter.
As primeiras mensagens – diálogos por meio do aplicativo Telegram –  foram divulgadas pelo The Intercept Brasil em 9 de junho. Desde então, o procurador Dallagnol e o ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, têm permanecido na defensiva.
Nas duas ocasiões em que compareceu ao Congresso para prestar esclarecimentos, Moro negou qualquer conluio com os procuradores da força-tarefa. Ele também tem atuado em várias frentes para minimizar os conteúdos revelados, que implicaram não apenas a ele, mas também vários procuradores.
O ministro já afirmou não reconhecer a autenticidade dos diálogos, mas ao mesmo tempo ressalvando que o material revelado até agora não atestaria nenhuma conduta ilegal. Ele também chegou a classificar de "descuido" ter indicado duas testemunhas para a força-tarefa, conforme descrito num diálogo publicado pelo Intercept. Mais recentemente, Moro também insinuou que "as mensagens passiveis de adulteração” pelo site.
Neste fim de semana, uma pesquisa da Datafolha mostrou que 58% dos brasileiros julgam inadequada a conduta de Moro, e outros 58% acham que as suas sentenças devem ser revisadas. No entanto 54% da população não vê motivo para o ex-juiz entregar seu cargo no Ministério da Justiça.
Nos diálogos divulgados até agora pelo The Intercept Brasil e veículos parceiros, Moro aparece cobrando a realização de novas operações, num diálogo com um procurador, oferece uma dica sobre uma testemunha e chega a propor aos procuradores uma ação contra a defesa do ex-presidente Lula.
Na véspera do comparecimento de Moro ao Senado, o site divulgou, ainda, um diálogo no qual ele se posiciona contra o envio de uma ação contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, uma vez que ela poderia "melindrar alguém cujo apoio é importante".
Um dos vazamentos também reforçou as suspeitas de estreita cooperação entre o juiz e o procurador Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, para evitar que tensões entre Moro e os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) prejudicassem as investigações em 2016, durante uma fase crítica para a força-tarefa.
Mais recentemente, o site também divulgou mais conversas entre procuradores da Lava Jato. Num dos diálogos revelados, membros da força-tarefa criticam a ida de Moro ao Ministério da Justiça e manifestam temor de que a nomeação arranhasse a imagem da operação.
Outras mensagens também mostram Moro orientando a Lava Jato para incluir prova num processo e fazendo pressão para que o Ministério Público não aceitasse uma delação premiada do ex-deputado Eduardo Cunha. Neste fim de semana, foi a vez de o site revelar mensagens sugerindo que o ex-juiz e a força-tarefa se articularam para tornar pública a delação da Odebrecht e interferir na crise política da Venezuela.

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DW

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