09/09/2019

Após ofensas, filha de Brigitte Macron lança campanha contra misoginia



Tiphaine Auzière, filha da primeira-dama da França, Brigitte Macron, reagiu às ofensas do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, e do ministro da Economia, Paulo Guedes, contra sua mãe.

Em um vídeo divulgado na noite de sexta-feira (06/09), Auzière apareceu com uma folha impressa que mostra uma reportagem do jornal Le Monde sobre a fala de Guedes, que disse na última quinta-feira que a primeira-dama francesa é "feia mesmo".
"Estamos em 2019 e dirigentes políticos ainda têm  como alvo o físico de uma mulher que é uma personalidade pública. Isso ainda existe?
Sim", afirmou no vídeo Auzière, uma advogada de 35 anos que é filha do primeiro casamento de Brigitte.
Sem citar diretamente Bolsonaro, Guedes e sua mãe, ela disse que essa é uma oportunidade para que as pessoas se mobilizem contra a misoginia.
"Vamos juntos, a partir de amanhã, reagir, nos engajar dentro de nossas famílias, no nosso trabalho e nas urnas para denunciar os misóginos.”
Ela também afirmou que o comportamento de Bolsonaro e de Guedes não é exclusivamente brasileiro e que a França nem sempre é um exemplo nessa área.
"Não estamos aqui para dar lição em ninguém, pois a França não está livre disso", disse.
Em seguida, ela lembrou que em 2012 a então ministra francesa da Habitação, Cécile Duflot, foi alvo de comentários machistas e assobios por parte de deputados quando discursou com um vestido florido na Assembleia Nacional do país. Auzière ainda citou o caso de uma deputada que em 2013 foi interrompida enquanto discursava por um deputado que imitou o cacarejar de galinhas.
Auzière concluiu o vídeo exibindo um cartaz com os dizeres #Balancetonmiso (denuncie o seu misógino).
No mesmo dia, em entrevista ao jornal Le Parisien, Auzière disse que tomou a iniciativa de publicar o vídeo por iniciativa pessoal. "Diante dessas notícias, como mãe de uma menininha, filha de uma mãe insultada e advogada que defende mulheres, eu tive vontade de me manifestar contra a misoginia e o sexismo ordinário", disse ao jornal.
No dia 29 de agosto, Brigitte Macron já havia se manifestado sobre as falas de Bolsonaro. Na ocasião, ela agradeceu o apoio que recebeu de brasileiros que não concordaram com a atitude do presidente.
"Apenas queria dizer duas palavras para os brasileiros e as brasileiras, em português: Muito obrigada! Muito, muito obrigada a todos que me apoiaram", disse a primeira-dama, durante uma cerimônia em Azincourt, no norte da França.

Escalada de ofensas
No dia 24 de agosto, em meio a uma escalada de tensão envolvendo as queimadas na Amazônia entre Bolsonaro e o marido de Brigitte, o presidente francês Emmanuel Macron, o chefe de Estado brasileiro endossou um comentário sexista contra Brigitte.
No Facebook, um seguidor de Bolsonaro publicara uma montagem que comparava a aparência de Brigitte com a da primeira-dama brasileira, Michelle, quase 30 anos mais jovem que a francesa, que tem 66 anos. "É inveja presidente, do Macron, pode crê", disse o seguidor.
Logo abaixo, Bolsonaro escreveu "Não humilha, cara. Kkkkkkk", endossando o comentário sexista, que sugeria que Macron vinha criticando o brasileiro por invejar seu casamento. Bolsonaro está na sua terceira união e Michelle é 27 anos mais jovem que ele.
Após o comentário repercutir negativamente, vários usuários brasileiros, entre eles celebridades, começaram a publicar mensagens com a hashtag #DesculpeBrigitte no Twitter.
Durante a reunião do G20, em agosto, o presidente francês se manifestou sobre a ofensa.  "O que posso dizer? É triste, é triste para ele, primeiramente, e para os brasileiros. Penso que os brasileiros, que são um grande povo, têm um pouco de vergonha de ver esse comportamento. Tenho muito respeito e admiração pelo povo brasileiro, e espero muito rapidamente que eles tenham um presidente que se comporte à altura [do cargo]", disse o francês.
Diante da repercussão negativa, Bolsonaro apagou o comentário sobre Brigitte no Facebook. Ele ainda tentou minimizar sua resposta na publicação ofensiva afirmando que não se tratava de um ataque a Brigitte.
O assunto parecia ter esfriado, mas na última quinta-feira foi a vez de o ministro da Economia, Paulo Guedes, lançar novos insultos, desta vez mais diretos. Durante um evento em Fortaleza, Guedes afirmou: "O Macron falou que estão colocando fogo na Amazônia. O presidente [Bolsonaro] devolveu, falou que a mulher do Macron é feia. O presidente falou a verdade, ela é feia mesmo. Mas não existe mulher feia, existe mulher observada do ângulo errado. E fica essa xingação", disse Guedes.
A plateia do evento riu da fala do ministro. Mais tarde, diante da repercussão, Guedes se desculpou e disse que fez o comentário porque é um "brasileiro típico". "Eu sou um brasileiro típico, eu piso na jaca, eu rolo na lama. Eu estou há duas horas aqui e tentando não pisar. Quando eu vejo que vou pisar, até mudo a postura."


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DW

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