10/09/2019

Cerca de 800 mil pessoas se suicidam por ano, diz OMS



Cerca de 800 mil pessoas, uma a cada 40 segundos, se suicidam todos os anos no mundo, de acordo com um relatório apresentado nesta segunda-feira (09/09) pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O suicídio é a segunda principal causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos, atrás apenas de acidentes de trânsito.

"Cada morte é uma tragédia para a família, amigos e colegas. Suicídios, porém, são evitáveis.
Pedimos a todos os países que incorporem estratégias comprovadas de prevenção ao suicídio nos programas nacionais de saúde", afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
Os dados mais recentes disponíveis revelam que, em 2016, a taxa global de suicídios ficou em 10,5 por 100 mil pessoas. No Brasil, os casos ficaram abaixo da média global, com 6,1. No país, 13.467 tiraram a própria vida naquele ano.
De acordo com a OMS, enquanto a maioria dos suicídios, 79%, ocorre em países de baixa e média renda, países mais ricos registram, porém, a maior taxa (11,5 por 100 mil habitantes).
O país com a maior taxa de suicídio é a Guiana, com mais de 30 por 100 mil habitantes, seguido da Rússia, com 26,5. No topo desta lista, figuram também Lituânia, Lesoto, Uganda, Sri Lanka, Coreia do Sul, Índia e Japão, além dos Estados Unidos, que registraram 13,7 suicídios por 100 mil habitantes.
O relatório mostrou ainda que, em todas as idades, o suicídio apresenta uma taxa maior entre homens do que entre mulheres, com uma média global 1,8 vez superior. Nos países desenvolvidos, porém, o número de homens que tiram a própria vida é três vezes maior que o das mulheres, embora os números entre os gêneros sejam mais semelhantes nos países em desenvolvimento, onde quase quatro em cada cinco suicídios são registrados.
A OMS destaca ainda uma redução na taxa global de suicídios, que de 14 por cada 100 mil habitantes no início deste século para 10,5 em 2016, sendo o continente americano a única região onde houve um aumento no número de casos.
Segundo o relatório, os métodos mais comuns de suicídio são enforcamento, envenenamento por agrotóxicos e armas de fogo. Reduzir o acesso às armas e outros meios de tirar a própria vida é, segundo a OMS, uma das melhores medidas preventivas.
A OMS iniciou campanha para proibir ou pelo menos limitar o acesso a pesticidas, método usado para um em cada cinco suicídios e muito frequente nas áreas rurais dos países em desenvolvimento. Muitas vezes, suicídios com agrotóxicos "ocorrem em momentos de angústia, de maneira impulsiva, quando a pessoa pode ter dúvidas sobre se deve ou não tirar a própria vida. Nesta circunstância, você não deveria ter acesso a um método tão rápido", disse Alexandra Fleischmann, do departamento de saúde mental da OMS.
A organização argumenta, por exemplo, que na Coreia do Sul, um país com uma alta taxa de suicídio, os casos foram reduzidos pela metade entre 2011 e 2013 após a proibição de um potente herbicida.
O suicídio é, depois dos acidentes de trânsito, a segunda principal causa de mortes entre jovens de 15 a 29 anos, com mais de 200 mil casos em 2016, por isso a OMS procura focar na prevenção em faixas etárias mais jovens.
"É importante trabalhar com jovens nas escolas, ensiná-los como superar os problemas e situações estressantes", afirmou Fleischmann, também destacando o papel dos meios de comunicação para prevenir o suicídio, por exemplo não lhe dando uma aura romântica nem sensacionalista.
As Nações Unidas estabeleceram nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável reduzir em um terço a taxa global de suicídios antes de 2030, no entanto, com o atual ritmo, essa meta não seria alcançada, alerta a organização.

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DW

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