15/10/2019

PSL quer deixar Bolsonaro sem nada no 'divórcio'



Azedou de vez a rapadura entre o PSL e o Bolsonaro...

Mesmo com os bombeiros do PSL tentando uma reconciliação com Bolsonaro, tanto aliados do presidente Jair Bolsonaro como integrantes da cúpula do partido já trabalham com a possibilidade de um desfecho litigioso.

Esse é considerado o pior cenário, pois deixará sequelas na governabilidade. Além de “abrir as vísceras” do partido e do grupo de Bolsonaro.
Depois da decisão de pedir auditoria das contas da legenda dos últimos cinco anos, o próprio PSL quer jogar um holofote nos gastos da campanha presidencial, mas principalmente da pré-campanha de Bolsonaro.

O argumento é que Bolsonaro assumiu o comando do partido ao indicar no início de 2018 o então aliado e agora ex-ministro Gustavo Bebianno. E que recebeu a legenda com caixa cheio e devolveu com o caixa vazio.

“Será fundamental uma auditoria nas contas do partido para saber como foi esse gasto com a pré-campanha de Bolsonaro”, disse ao blog um dirigente da legenda.
Diante do movimento dos advogados de Bolsonaro, a ordem é centrar artilharia até mesmo na defesa. A advogada eleitoral Karina Kufa era até recentemente a responsável pela defesa do partido na Justiça Eleitoral. E o advogado Admar Gonzaga era ministro do Tribunal Superior Eleitoral.
“Admar participou do colegiado que julgou e aprovou as contas da campanha de Bolsonaro. E Karina Kufa até recentemente estava no partido. Eles deveriam se sentir impedidos”, ressaltou um integrante da legenda que chegou a classificar Kufa de “advogada infiel”.  
A cúpula do PSL avaliou, durante conversas no fim de semana, a possibilidade de liberar o presidente Jair Bolsonaro, os filhos dele – deputado Eduardo Bolsonaro (SP) e senador Flávio Bolsonaro (RJ) – além de cerca de 20 parlamentares considerados infiéis para saírem do partido desde que assinem um compromisso público dizendo que abrem mão do dinheiro do fundo partidário. Houve discussão também sobre a expulsão de dois deputados do partido: Bibo Nunes (RS) e Alê Silva (MG). 
"Vamos propor um desafio púbico à Karina Kufa e ao Admar Gonzaga [advogados que defendem Bolsonaro]. Já que o presidente é contra o fundo eleitoral e partidário nas campanhas, e os deputados signatários também são, a narrativa é que o problema não é o dinheiro. Queremos que eles assinem um documento público com valor jurídico -- do presidente, Eduardo, Flávio e todos os 20 deputados -- abrindo mão do fundo e indo embora do partido. Já que o problema não é o dinheiro, não vejo problema todos eles assinarem, assim não precisam procurar justa causa e serão todos liberados", disse o deputado Júnior Bozzella (PSL-SP).

A declaração ocorre em meio ao embate entre Bolsonaro e o comando do PSL, que decidiu pedir uma auditoria nas contas da campanha presidencial do ano passado.
Cerca de 20 parlamentares tentam encontrar uma saída jurídica para deixar o PSL sem que haja a chamada infidelidade partidária.
Esse grupo saiu em defesa de Bolsonaro no embate travado entre o presidente da República e o presidente do partido, Luciano Bivar (PE).
Em resposta, o comando do partido os retirou de comissões ou da hierarquia interna do partido.
O deputado Filipe Barros (PR), por exemplo, perdeu a presidência da Juventude Nacional do PSL.
De acordo com a resolução 22.610 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o partido pode pedir à Justiça Eleitoral a decretação da perda de cargo eletivo quando o deputado se desfiliar sem justa causa.
Ainda conforme a resolução, configuram justa causa: incorporação ou fusão do partido; criação de novo partido; mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário; grave discriminação pessoal.
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Nilson Klava
Gerson Camarotti 
G1

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