11/11/2019

Em discurso, Lula critica governo Bolsonaro e promete alternativa



Em discurso neste sábado (09/11), na cidade de São Bernardo do Campo, após sua libertação da prisão, o ex-presidente Luiz Inácio "Lula" da Silva explicou que não deixou o Brasil em 2018, para provar que está sendo vítima de uma armação.

"Eu tomei a decisão de ir lá para a Polícia Federal [em 7 de abril de 2018, quando se entregou]. Eu poderia ter ido para uma embaixada, mas eu tomei a decisão de ir lá, porque eu preciso provar que o juiz [Sergio] Moro não era juiz, era um canalha que estava me julgando", declarou Lula diante do sindicato dos metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, onde foi recebido com uma grande festa por milhares de apoiadores.
Lula dedicou as primeiras palavras a seus seguidores, agradecendo-lhes pela solidariedade, e garantiu não sentir ódio de quem ele considera seus algozes: "Permaneci na cadeia como quem tem clareza sobre o que quer da vida e o que representa, e também tem clareza de que seus capturadores estão mentindo."
Ele não poupou críticas ao atual chefe de Estado, Jair Bolsonaro: "Eu vejo muitos companheiros reclamarem que está muito difícil levar o povo para as ruas, muitos companheiros querem derrubar o Bolsonaro [...] Esse cidadão foi eleito democraticamente, mas ele foi eleito para governar para o povo brasileiro, não para os milicianos do Rio de Janeiro."
O líder lembrou que ainda tem processos contra si, que classificou como "uma mentira atrás da outra", mas garantiu não ter por que sentir culpa: "Cá estou eu, livre como um passarinho. Durmo com a consciência tranquila de um homem justo e honesto." Em contraste: "Duvido que Moro durma assim, que os promotores durmam assim e que Bolsonaro durma assim."
"Tudo o que fizeram foi para me tirar da disputa eleitoral. O que eles não sabem, é que vocês não dependem de uma pessoa, vocês dependem do coletivo. Se a gente souber trabalhar direitinho, em 2022 a chamada esquerda, de que o Bolsonaro tanto medo tem, vai derrotar a ultradireita", prometeu.
"Não adianta ficar com medo"
O antigo presidente falou durante uma intervenção política no Sindicato dos Metalúrgicos na cidade do interior de São Paulo, no mesmo prédio onde foi preso em abril de 2018. Líder mais importante da esquerda brasileira, em outro momento de seu discurso ele pediu que seus apoiantes não tenham medo, pois é preciso lutar para melhorar o país.
"Não adianta ficar com medo, a gente tem que ter uma decisão neste país de 210 milhões de habitantes, e não podemos permitir que os milicianos acabem com o país que construímos."
Lula lembrou que Bolsonaro confessou publicamente ter sido eleito por causa do atual ministro da Justiça, Sergio Moro, principal juiz da operação Lava Jato e responsável pela primeira condenação de Lula. Além de associar Bolsonaro a milicianos, ele afirmou que o atual presidente está acabando com os direitos dos brasileiros, com as pensões por reforma e a cidadania, ao promover cortes de orçamento e um pacote de reformas liberais.
O petista antecipou que dentro de 20 dias pretende apresentar publicamente um projeto alternativo ao do governo Bolsonaro: "É preciso que a gente tome uma decisão, eu estou disposto a andar por este país, porque não é possível que a gente viva neste país vendo cada dia os ricos ficarem mais ricos e os pobres ficarem mais pobres."
Luiz Inácio "Lula" da Silva, que governou o Brasil entre 2003 e 2010, deixou na sexta-feira a cadeia em Curitiba, após 580 dias preso. Sua libertação foi decidida por um juiz em menos de 24 horas, após uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) ter alterado na véspera a jurisprudência, proibindo a prisão após condenação em segunda instância de réus que recorram a tribunais superiores.
O histórico líder do Partido dos Trabalhadores (PT), de 74 anos, foi preso após ser condenado em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), num processo sobre a posse de um apartamento que os procuradores alegam ter-lhe sido dado como suborno pela construtora OAS, em troca de vantagens em contratos com a semiestatal petrolífera Petrobras.

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DW

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