07/04/2020

PANDEMIA CORONAVÍRUS - Brasil terá maior número de infectados nos próximos 03 meses, segundo Ministério da Saúde



Um relatório técnico assinado pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e especialistas em saúde afirma que o Brasil terá pico dos casos de Covid-19 em abril, maio, perdurando até junho e que o país continuará enfrentando a pandemia até meados de setembro. O texto foi publicado nesta terça-feira (7) na “Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical” e divulgado pela agência de notícias científicas Bori.

Mandetta disse: "Nos próximos três meses, a maioria da população do Brasil, principalmente de grandes centros urbanos, será exposta a esse vírus". Há padrões de sazonalidade no Brasil, segundo o documento, para esse tipo de contágio. Na região Sul, o pico da epidemia por vírus respiratórios tende a ocorrer no inverno, entre junho e julho.
"Assim, existem preocupações quanto à disponibilidade de unidades de terapia intensiva (UTI) e ventiladores mecânicos necessários para pacientes hospitalizados com Covid-19, bem como a disponibilidade de testes de diagnóstico específicos", alerta o documento.

Isolamento social e uso de máscaras


O isolamento social é apontado como uma das medidas usadas no Brasil para evitar a disseminação da doença.

"O isolamento social é uma medida que deve ser sugerida no início [do surgimento dos caso] para achatar a curva epidemiológica com o mínimo possível de impacto econômico", dizem os especialistas no relatório.


"Se o distanciamento social é eficaz [para conter a pandemia] (...), o impacto econômico poderá ser mitigado quando a atual pandemia de Covid-19 for controlada", afirma o documento.

O relatório também cita o uso de máscaras como uma das medidas de prevenção que podem ajudar a conter o avanço da pandemia. Na Ásia, o uso de máscaras é culturalmente aceito e não há o costume de abraços de beijos, como há no Brasil. "Essas diferenças podem ser decisivas em evolução das pandemias", afirma o documento.

O autor principal do relatório é o médico infectologista Julio Croda, que em março deixou o cargo de diretor do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis e é pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (MS) e da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Assina também Wanderson Kleber de Oliveira, secretário de Vigilância em Saúde, entre outros.

O texto do relatório fala sobre como o Brasil enfrenta a pandemia, traz a cronologia das ações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do país, e alerta para o período de outono e inverno, em que há maior ocorrência de doenças respiratórias. O relatório também cita medidas como isolamento social e uso de máscaras como formas de conter a pandemia no Brasil.
A região Norte traz preocupação no período chuvoso, entre março e abril. O governo do Amazonas já solicitou apoio do Ministério da Saúde para envio de respiradores. Nas demais regiões do Brasil, há uma situação intermediária, com casos detectados ao longo de todo o ano, destaca o documento. 
O boletim estabelece um prazo de duas a três semanas para a obtenção de resultados do uso de cloroquina associada à azitromicina para tratamento da covid-19. O ministério considera que há "importante potencial", mas afirma que "resultados preliminares de segurança e eficácia do uso deste protocolo para uso ampliado" só será obtido entre 15 e 21 dias. "No entanto, o uso compassivo está sendo adotado amplamente por critério clínico", diz o boletim.
O Ministério da Saúde também prevê, nesse documento, que a produção de testes para diagnóstico está prejudicada por falta de insumos em grande parte do mercado por duas semanas. "Não há escala de produção nos principais fornecedores para suprimento de kits laboratoriais para pronta entrega nos próximos 15 dias", aponta o informe.


com conteúdo
O Globo
G1

Nenhum comentário:

Postar um comentário