23/05/2020

A NASA encontrou um universo paralelo? Onde o tempo é invertido? Não é bem assim



Uma notícia fantástica a respeito da descoberta de evidências da existência de um universo paralelo circulou nos últimos dias. Segundo os relatos, observações feitas por cientistas da NASA sugeriam que nesse universo o tempo passaria ao contrário. Mas o que há de verdade nessa história? A agência espacial dos Estados Unidos estaria realmente por trás da pesquisa?

A informação surgiu originalmente em uma reportagem publicada na revista Science Alert. Segundo o texto, uma equipe de cientistas que trabalhava em um experimento na Antártida encontrou partículas de energia que se comportavam de forma anômala. De acordo com os pesquisadores, elas agiam exatamente ao contrário do que era esperado.
Entre as inúmeras tentativas de explicar o fenômeno está a hipótese da existência de um potencial universo paralelo onde as leis da física funcionariam de maneira inversa. 
Esse universo de cabeça para baixo, situado ao lado do nosso, teria sido formado pela explosão do Big Bang. "Neste mundo espelho, positivo é negativo, esquerdo é direito e o tempo corre para trás", diz o texto. 
A descoberta das partículas foi feita por pesquisadores que trabalham em um projeto chamado Antena Antártica de Impulso Transitivo (ANITA), que tem o objetivo de estudar neutrinos cósmicos de ultra-alta energia (UHE). Durante a pesquisa, os cientistas prendem antenas em balões que voam a uma altitude de 37 mil metros para detectar esses neutrinos. Ao longo dos anos, o ANITA detectou vários eventos "anômalos". Em vez de os neutrinos de alta energia fluírem do espaço, eles parecem ter vindo de um ângulo inusitado, através do interior da Terra, antes de atingir o detector. De acordo com os cientistas, esses fenômenos não podem ser explicados por nossa compreensão atual da física.
Apesar de a hipótese da existência do universo paralelo ser fascinante, ela foi recebida com ceticismo por muitos cientistas. Pat Scott, fenomenologista de astropartículas da Universidade de Queensland, na Austrália, disse que a ideia é "plausível", mas que há inúmeras outras teorias que poderiam explicar as anomalias detectadas pelo ANITA. Geraint Lewis, astrofísico da Universidade de Sydney, afirmou que a suposição não está necessariamente errada, mas que o peso das evidências está do lado oposto a essa conclusão. 
Gustavo Esteban Romero, professor de Astrofísica Relativística da Universidade de La Plata, na Argentina, foi mais longe, fazendo duras críticas ao modo como a pesquisa foi abordada pela imprensa. Ele acusou a mídia de ter divulgado um experimento real de modo falso e sensacionalista. 
Ah, e como a NASA foi parar nessa história? A agência espacial não é responsável pelas pesquisas do ANITA, seu papel é apenas o de financiar parcialmente o projeto, juntamente com o Departamento de Energia dos EUA. A NASA nem ao menos é citada no texto original da Science Alert, a menção à agência começou a aparecer quando a notícia passou a ser reproduzida em tabloides de credibilidade duvidosa.


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