27/09/2020

Volkswagen reconhece colaboração com a ditadura militar e irá indenizar ex-funcionários


 

A montadora alemã Volkswagen reconheceu sua colaboração com a ditadura militar brasileira (1964-1985). A empresa irá indenizar ex-trabalhadores perseguidos, presos ou torturados durante o período. Ao todo, mais de 60 pessoas devem ser beneficiadas.

Segundo o Estadão, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o  Ministério Público Federal, Estadual e do Trabalho e a Volkswagen prevê que a empresa destine R$ 36,3 milhões para indenizar ex-funcionários e para financiar iniciativas de promoção de direitos humanos. Grande parte desse valor deve ir para associações de vítimas formadas por ex-funcionários e seus familiares. 

A indenização está relacionada a uma ação movida há cinco anos contra a Volkswagen por ex-funcionários que trabalharam na fábrica da montadora em São Bernardo do Campo durante a ditadura militar. Com o acordo, a companhia evita uma disputa judicial.

Há três anos, uma investigação realizada pelo Ministério Público Federal (MPF) confirmou que a Volkswagen colaborou de maneira sistemática e ativa com a ditadura militar brasileira. Um relatório de 406 páginas apontou que a empresa espionou os próprios funcionários com o objetivo de descobrir suas opiniões políticas, documentando as informações por escrito. Esse material era enviado ao Departamento de Ordem Política e Social (Dops). A investigação revelou ainda que o departamento de segurança da montadora permitiu a prisão de funcionários dentro de suas fábricas, mesmo sem mandados.

A Volkswagen contratou o historiador Christopher Kopper, da Universidade de Bielefeld, para apurar a colaboração da empresa com a ditadura brasileira. O pesquisador, que elaborou um relatório independente sobre o caso, afirma que o acordo é histórico. "Será a primeira vez que uma companhia alemã aceita sua responsabilidade por violações de direitos humanos contra seus próprios funcionários por eventos que ocorreram após o fim do nacional-socialismo", disse.

O historiador se refere ao relacionamento entre a Volkswagen e o nazismo durante o Terceiro Reich. Na década de 1930, Ferdinand Porsche assinou um acordo com Adolf Hitler para desenvolver um protótipo de um carro acessível e pequeno, o "carro do povo". Em 1938, o governo alemão construiu uma fábrica para produzir o veículo. O primeiro Fusca estreou no Salão Automóvel de Berlim em 1939.

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Estadão
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